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Cálculo de dose de medicação: a regra de três sem erro

Errar a dose de um medicamento é um dos deslizes mais graves — e mais evitáveis — da assistência de enfermagem. A boa notícia: a maioria dos cálculos do dia a dia se resolve com uma única ferramenta, a regra de três. Neste guia você vai dominar a fórmula, as conversões de unidade e o cálculo de gotejamento, com exemplos resolvidos passo a passo.

Resumo rápido.
1) Iguale as unidades (mg com mg, mL com mL). 2) Monte a regra de três: a dose disponível está para o volume disponível assim como a dose prescrita está para o volume a administrar (x). 3) Multiplique em cruz e isole o x. 4) Confira o resultado e cumpra os "certos" da administração de medicamentos.

O que é a regra de três aplicada à medicação

A regra de três resolve problemas de grandezas diretamente proporcionais: quando uma aumenta, a outra aumenta na mesma proporção. No cálculo de dose de medicação, a relação constante é a concentração do fármaco — quanta droga existe em cada unidade de apresentação (por exemplo, 500 mg em cada comprimido, ou 500 mg em cada 2 mL de solução).

Se você conhece essa relação e sabe quanto o médico prescreveu, a regra de três diz exatamente quanto administrar. É a base de praticamente todo cálculo de comprimidos, ampolas, frascos reconstituídos e gotejamento.

A fórmula universal do cálculo de dose

Toda regra de três de medicação parte da mesma proporção. Do lado esquerdo, o que está no rótulo (o disponível); do lado direito, o que foi prescrito e a incógnita x (o que você vai administrar):

Dose disponível — Volume disponível
Dose prescrita — x

Multiplicando em cruz e isolando o x, chega-se à fórmula prática:

x = (Dose prescrita × Volume disponível) ÷ Dose disponível

Os três dados que você sempre precisa

Cuidado com a concentração. "Ampola de 500 mg/2 mL" não é o mesmo que "500 mg em 1 mL". A dose total da ampola (500 mg) está diluída em todo o volume (2 mL). Confundir dose total com concentração por mL é uma das causas mais frequentes de erro.

Regra de três passo a passo

  1. Leia a prescrição e o rótulo por completo: fármaco, dose, via, apresentação e concentração.
  2. Converta as unidades para que fiquem iguais dos dois lados (mg com mg, mcg com mcg, mL com mL). Este é o passo que mais evita erros.
  3. Monte a proporção alinhando as grandezas: dose sobre dose, volume sobre volume.
  4. Multiplique em cruz e isole o x.
  5. Confira e arredonde com critério: refaça o cálculo, avalie se o resultado é plausível e aplique a dupla checagem quando indicado.

Tabela de conversões que você precisa saber

Antes de montar a regra de três, iguale as unidades. Estas são as equivalências que aparecem na prática e nas provas de concurso:

GrandezaEquivalênciaAtenção
Massa1 g = 1.000 mgPara converter g → mg, multiplique por 1.000
Massa1 mg = 1.000 mcg (µg)Comum em drogas vasoativas e pediatria
Volume1 L = 1.000 mLFrequente em soros e hidratação
Gotas (macrogotas)1 mL = 20 gotasEquipo comum (padrão-ouro do fator 20)
Microgotas1 mL = 60 microgotasEquipo de precisão / pediatria
Gota × microgota1 gota = 3 microgotasDecorre da relação 20 × 3 = 60
Solução percentual (p/v)1% = 1 g/100 mL = 10 mg/mLEx.: SG 5% = 50 mg/mL; Lidocaína 2% = 20 mg/mL

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — comprimido (via oral)

Prescrição: Paracetamol 750 mg VO. Disponível: comprimidos de 500 mg.

500 mg — 1 comprimido
750 mg — x

x = (750 × 1) ÷ 500 = 1,5 comprimido. Administre um comprimido e meio (só fracione se o comprimido for sulcado e a bula permitir a divisão).

Exemplo 2 — solução injetável (ampola)

Prescrição: 300 mg IV. Disponível: ampola de 500 mg em 2 mL.

500 mg — 2 mL
300 mg — x

x = (300 × 2) ÷ 500 = 1,2 mL. Aspire 1,2 mL da ampola.

Exemplo 3 — frasco-ampola reconstituído (antibiótico)

Prescrição: 400 mg IV. Frasco de 1 g reconstituído com diluente até 10 mL (concentração final de 100 mg/mL).

1.000 mg — 10 mL
400 mg — x

x = (400 × 10) ÷ 1.000 = 4 mL. Após reconstituir, aspire 4 mL. Sempre confirme na bula o volume de diluente que estabelece a concentração final.

Dica. Todos esses cálculos, com as conversões e as fórmulas de gotejamento, cabem em um mapa visual de 1 página para consultar no plantão. Veja como no Enfermagem Visual — 100 mapas visuais.

Cálculo de gotejamento e velocidade de infusão

Para soros e infusões, a regra de três se apoia no fator gotas do equipo. As fórmulas abaixo são a forma simplificada da proporção e servem para o dia a dia:

O que calcularFórmulaObservação
Macrogotas/min (equipo comum)Volume (mL) ÷ (tempo em horas × 3)Deriva do fator 20 gotas/mL
Microgotas/min (equipo de precisão)Volume (mL) ÷ tempo em horasDeriva do fator 60 microgotas/mL
mL/hora (bomba de infusão)Volume (mL) ÷ tempo em horasPrograme direto na bomba

Exemplo: infundir 1.000 mL de SF 0,9% em 8 horas.

Note que microgotas/min e mL/h têm o mesmo valor numérico — uma consequência direta do fator 60.

Erros mais comuns (e como evitá-los)

Os deslizes que mais aparecem no cálculo de dose.

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Perguntas frequentes

Qual é a fórmula da regra de três para calcular dose?

Monte a proporção "dose disponível está para volume disponível assim como dose prescrita está para x". Isolando, fica: x = (dose prescrita × volume disponível) ÷ dose disponível. O ponto crítico é ter as unidades iguais dos dois lados (mg com mg, mL com mL) antes de calcular.

Como calcular o gotejamento em macrogotas?

Use gotas/min = volume total (mL) ÷ (tempo em horas × 3). Exemplo: 500 mL em 4 horas = 500 ÷ 12 = 41,6 ≈ 42 gotas/min. Para microgotas, divida o volume apenas pelo tempo em horas.

Qual a diferença entre gota e microgota?

É o fator do equipo: 1 mL equivale a 20 macrogotas (equipo comum) ou a 60 microgotas (equipo de precisão). Por isso 1 gota = 3 microgotas. O equipo de microgotas dá controle mais fino do volume e é comum em pediatria e infusões que exigem precisão.

Posso arredondar o resultado do cálculo?

Gotas e microgotas, sim — para o número inteiro mais próximo, já que não existe "meia gota". A dose do medicamento, não deve ser arredondada livremente. Em medicamentos de alta vigilância (insulina, heparina, KCl, quimioterápicos), utilize bomba de infusão e faça a dupla checagem antes de administrar.

Material educativo de apoio ao estudo, revisado por enfermeiro(a). Não substitui protocolo da instituição, prescrição nem julgamento clínico. Confira sempre o rótulo, a bula e o protocolo local antes de preparar e administrar qualquer medicamento.