Escala de Braden: como avaliar o risco de lesão por pressão
A Escala de Braden é o instrumento mais usado no Brasil e no mundo para prever o risco de lesão por pressão (LPP). Em poucos minutos, ela transforma a avaliação da pele e das condições do paciente em um número que orienta toda a prevenção. Veja como aplicar, somar e interpretar o escore de Braden — do jeito certo.
O que é a Escala de Braden
A Escala de Braden (Braden Scale for Predicting Pressure Sore Risk) foi criada em 1987 por Barbara Braden e Nancy Bergstrom. É uma escala preditiva: seu objetivo não é classificar uma lesão já instalada, mas identificar antes quais pacientes têm maior probabilidade de desenvolver uma lesão por pressão — permitindo direcionar recursos de prevenção para quem mais precisa.
No Brasil, ela é o instrumento recomendado pelo Protocolo para Prevenção de Úlcera por Pressão do Ministério da Saúde / ANVISA e integra as metas de segurança do paciente. É validada para adultos e idosos. Para o público pediátrico (recém-nascido a 8 anos), usa-se a variante Braden Q.
Importante: a Escala de Braden não substitui o exame clínico da pele nem o julgamento do enfermeiro — ela o complementa. A aplicação da escala e a definição do plano de prevenção são atribuições privativas do enfermeiro, conforme a Lei do Exercício Profissional e resoluções do COFEN.
Os 6 parâmetros avaliados
A escala é composta por seis subescalas. Cinco delas recebem pontuação de 1 a 4 e a última (fricção e cisalhamento) de 1 a 3. Em cada subescala, 1 representa a pior condição e o maior valor a melhor condição.
| Parâmetro | O que avalia | Pontos |
|---|---|---|
| Percepção sensorial | Capacidade de perceber e responder de forma significativa ao desconforto causado pela pressão (nível de consciência, sensibilidade) | 1 a 4 |
| Umidade | Grau de exposição da pele à umidade (sudorese, incontinência urinária/fecal, drenagens) | 1 a 4 |
| Atividade | Nível de atividade física (acamado, restrito à cadeira, deambula ocasional ou frequentemente) | 1 a 4 |
| Mobilidade | Capacidade de mudar e controlar a posição do corpo de forma independente | 1 a 4 |
| Nutrição | Padrão habitual de ingestão alimentar e aporte proteico | 1 a 4 |
| Fricção e cisalhamento | Atrito da pele contra superfícies e deslizamento do corpo na cama/cadeira | 1 a 3 |
Por que a fricção e o cisalhamento só vão até 3?
Esse é o detalhe que mais confunde na hora de somar. As cinco primeiras subescalas graduam da pior (1) à melhor (4) condição. Já a fricção e o cisalhamento têm apenas três níveis — problema (1), problema em potencial (2) e nenhum problema (3). Por isso o teto do escore total é 23, e não 24.
Como calcular o escore de Braden (passo a passo)
- Avalie cada uma das 6 subescalas observando o paciente e consultando o prontuário. Escolha, em cada uma, o nível que descreve a condição atual.
- Atribua a pontuação de cada subescala (1 a 4 nas cinco primeiras; 1 a 3 na fricção/cisalhamento).
- Some os seis valores. O resultado é o escore total, que varia de 6 (máximo risco) a 23 (sem risco).
- Classifique o risco conforme a faixa do escore (tabela abaixo).
- Registre o escore total, a data/hora e o nível de risco no prontuário, e defina o plano de prevenção proporcional ao risco.
Classificação do risco pelo escore
No Brasil, a classificação mais utilizada (Protocolo do Ministério da Saúde/ANVISA) é a seguinte:
| Escore total | Nível de risco | Direcionamento geral |
|---|---|---|
| 19 – 23 | Sem risco | Reavaliação de rotina; orientações gerais de cuidado com a pele |
| 15 – 18 | Risco baixo | Reposicionamento programado; hidratação e proteção da pele |
| 13 – 14 | Risco moderado | Reposicionamento com cronograma; superfície de apoio; manejo da umidade |
| 10 – 12 | Risco alto | Todas as medidas anteriores intensificadas + avaliação nutricional |
| ≤ 9 | Risco muito alto | Pacote completo de prevenção; superfície redistribuidora; vigilância máxima |
De forma prática, considera-se que o paciente passa a estar em risco a partir de escore ≤ 18. Alguns serviços adotam pontos de corte próprios (por exemplo, ≤ 16) conforme a validação local — siga sempre o protocolo da sua instituição.
Com que frequência reavaliar
A escala deve ser aplicada na admissão (idealmente nas primeiras horas) e repetida periodicamente, além de sempre que houver mudança relevante no quadro clínico (cirurgia, sedação, piora hemodinâmica, incontinência nova etc.). As frequências habituais por contexto:
- Cuidados críticos (UTI): a cada 24 horas.
- Unidades de internação (cuidados agudos): a cada 48 horas.
- Instituições de longa permanência: semanalmente nas primeiras semanas e, depois, conforme protocolo.
- Atenção domiciliar: a cada visita do enfermeiro.
Da avaliação à prevenção: o que fazer com o escore
A pontuação só tem valor se gerar conduta. As medidas de prevenção devem ser proporcionais ao risco e, sempre que possível, direcionadas às subescalas mais baixas. Base do pacote de prevenção (alinhado ao MS/ANVISA e ao Potter & Perry):
- Reposicionamento programado: em geral a cada 2 horas no leito e a cada 1 hora na cadeira, individualizando conforme tolerância e superfície.
- Superfícies de redistribuição de pressão: colchões e coxins adequados ao nível de risco.
- Manejo da umidade: higiene, troca de fraldas/coberturas, uso de produtos de barreira em incontinência.
- Cuidado com a pele: hidratação, inspeção diária das proeminências ósseas, sem massagear áreas hiperemiadas.
- Controle da fricção e do cisalhamento: manter a cabeceira ≤ 30° quando possível, usar forro/lençol móvel para transferências e evitar arrastar o paciente.
- Suporte nutricional: avaliar aporte proteico-calórico e hidratação, acionando a equipe de nutrição quando indicado.
Perguntas frequentes
Qual é o escore mínimo e máximo da Escala de Braden?
O escore total varia de 6 a 23. O mínimo (6) corresponde à pior condição em todas as subescalas; o máximo (23) corresponde à melhor condição possível. Lembre que cinco subescalas vão de 1 a 4 e a fricção/cisalhamento de 1 a 3.
A partir de qual escore o paciente é considerado em risco?
De modo geral, escore ≤ 18 já indica risco, que se intensifica conforme o número cai: 15–18 (baixo), 13–14 (moderado), 10–12 (alto) e ≤ 9 (muito alto). Escores de 19 a 23 indicam ausência de risco pela escala. Sempre valide com o protocolo da sua instituição, pois alguns adotam pontos de corte diferentes.
A Escala de Braden serve para crianças?
Não na sua forma original. Para o público pediátrico utiliza-se a Braden Q, uma adaptação validada que acrescenta a subescala de perfusão tecidual e oxigenação. Aplicar a Braden de adulto em criança pequena subestima ou distorce o risco.
Quem pode aplicar a escala e prescrever a prevenção?
A aplicação da Escala de Braden, a estratificação do risco e a prescrição do plano de prevenção são competências do enfermeiro. A equipe de técnicos e auxiliares executa os cuidados prescritos (reposicionamento, higiene, hidratação) e comunica alterações da pele, mas a avaliação de risco e a conduta preventiva são responsabilidade do enfermeiro.
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