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Escala de Braden: como avaliar o risco de lesão por pressão

A Escala de Braden é o instrumento mais usado no Brasil e no mundo para prever o risco de lesão por pressão (LPP). Em poucos minutos, ela transforma a avaliação da pele e das condições do paciente em um número que orienta toda a prevenção. Veja como aplicar, somar e interpretar o escore de Braden — do jeito certo.

Resumo rápido. Avalie 6 parâmetros: percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição e fricção/cisalhamento. Some os pontos — o escore vai de 6 a 23. Quanto MENOR o número, MAIOR o risco. ≤ 9 = risco muito alto; 19–23 = sem risco. Aplique na admissão e reavalie sempre que o quadro clínico mudar.

O que é a Escala de Braden

A Escala de Braden (Braden Scale for Predicting Pressure Sore Risk) foi criada em 1987 por Barbara Braden e Nancy Bergstrom. É uma escala preditiva: seu objetivo não é classificar uma lesão já instalada, mas identificar antes quais pacientes têm maior probabilidade de desenvolver uma lesão por pressão — permitindo direcionar recursos de prevenção para quem mais precisa.

No Brasil, ela é o instrumento recomendado pelo Protocolo para Prevenção de Úlcera por Pressão do Ministério da Saúde / ANVISA e integra as metas de segurança do paciente. É validada para adultos e idosos. Para o público pediátrico (recém-nascido a 8 anos), usa-se a variante Braden Q.

Importante: a Escala de Braden não substitui o exame clínico da pele nem o julgamento do enfermeiro — ela o complementa. A aplicação da escala e a definição do plano de prevenção são atribuições privativas do enfermeiro, conforme a Lei do Exercício Profissional e resoluções do COFEN.

Os 6 parâmetros avaliados

A escala é composta por seis subescalas. Cinco delas recebem pontuação de 1 a 4 e a última (fricção e cisalhamento) de 1 a 3. Em cada subescala, 1 representa a pior condição e o maior valor a melhor condição.

ParâmetroO que avaliaPontos
Percepção sensorialCapacidade de perceber e responder de forma significativa ao desconforto causado pela pressão (nível de consciência, sensibilidade)1 a 4
UmidadeGrau de exposição da pele à umidade (sudorese, incontinência urinária/fecal, drenagens)1 a 4
AtividadeNível de atividade física (acamado, restrito à cadeira, deambula ocasional ou frequentemente)1 a 4
MobilidadeCapacidade de mudar e controlar a posição do corpo de forma independente1 a 4
NutriçãoPadrão habitual de ingestão alimentar e aporte proteico1 a 4
Fricção e cisalhamentoAtrito da pele contra superfícies e deslizamento do corpo na cama/cadeira1 a 3

Por que a fricção e o cisalhamento só vão até 3?

Esse é o detalhe que mais confunde na hora de somar. As cinco primeiras subescalas graduam da pior (1) à melhor (4) condição. Já a fricção e o cisalhamento têm apenas três níveis — problema (1), problema em potencial (2) e nenhum problema (3). Por isso o teto do escore total é 23, e não 24.

Como calcular o escore de Braden (passo a passo)

  1. Avalie cada uma das 6 subescalas observando o paciente e consultando o prontuário. Escolha, em cada uma, o nível que descreve a condição atual.
  2. Atribua a pontuação de cada subescala (1 a 4 nas cinco primeiras; 1 a 3 na fricção/cisalhamento).
  3. Some os seis valores. O resultado é o escore total, que varia de 6 (máximo risco) a 23 (sem risco).
  4. Classifique o risco conforme a faixa do escore (tabela abaixo).
  5. Registre o escore total, a data/hora e o nível de risco no prontuário, e defina o plano de prevenção proporcional ao risco.
Dica de memória. Na Braden, o número é "ao contrário" da intuição: escore baixo = risco alto. Pense que o paciente perdeu pontos porque perdeu capacidade de se proteger.

Classificação do risco pelo escore

No Brasil, a classificação mais utilizada (Protocolo do Ministério da Saúde/ANVISA) é a seguinte:

Escore totalNível de riscoDirecionamento geral
19 – 23Sem riscoReavaliação de rotina; orientações gerais de cuidado com a pele
15 – 18Risco baixoReposicionamento programado; hidratação e proteção da pele
13 – 14Risco moderadoReposicionamento com cronograma; superfície de apoio; manejo da umidade
10 – 12Risco altoTodas as medidas anteriores intensificadas + avaliação nutricional
≤ 9Risco muito altoPacote completo de prevenção; superfície redistribuidora; vigilância máxima

De forma prática, considera-se que o paciente passa a estar em risco a partir de escore ≤ 18. Alguns serviços adotam pontos de corte próprios (por exemplo, ≤ 16) conforme a validação local — siga sempre o protocolo da sua instituição.

Com que frequência reavaliar

A escala deve ser aplicada na admissão (idealmente nas primeiras horas) e repetida periodicamente, além de sempre que houver mudança relevante no quadro clínico (cirurgia, sedação, piora hemodinâmica, incontinência nova etc.). As frequências habituais por contexto:

Da avaliação à prevenção: o que fazer com o escore

A pontuação só tem valor se gerar conduta. As medidas de prevenção devem ser proporcionais ao risco e, sempre que possível, direcionadas às subescalas mais baixas. Base do pacote de prevenção (alinhado ao MS/ANVISA e ao Potter & Perry):

Erros mais comuns. Somar a fricção/cisalhamento como se fosse de 1 a 4 (o teto dela é 3); confundir a Braden com uma escala de classificação de lesão já existente (isso é o estadiamento por estágios); interpretar escore alto como "risco alto" — é o oposto; e aplicar a escala em criança sem trocar para a Braden Q. Aplicar a Braden e não desdobrar em plano de prevenção também é falha grave de segurança.

Perguntas frequentes

Qual é o escore mínimo e máximo da Escala de Braden?

O escore total varia de 6 a 23. O mínimo (6) corresponde à pior condição em todas as subescalas; o máximo (23) corresponde à melhor condição possível. Lembre que cinco subescalas vão de 1 a 4 e a fricção/cisalhamento de 1 a 3.

A partir de qual escore o paciente é considerado em risco?

De modo geral, escore ≤ 18 já indica risco, que se intensifica conforme o número cai: 15–18 (baixo), 13–14 (moderado), 10–12 (alto) e ≤ 9 (muito alto). Escores de 19 a 23 indicam ausência de risco pela escala. Sempre valide com o protocolo da sua instituição, pois alguns adotam pontos de corte diferentes.

A Escala de Braden serve para crianças?

Não na sua forma original. Para o público pediátrico utiliza-se a Braden Q, uma adaptação validada que acrescenta a subescala de perfusão tecidual e oxigenação. Aplicar a Braden de adulto em criança pequena subestima ou distorce o risco.

Quem pode aplicar a escala e prescrever a prevenção?

A aplicação da Escala de Braden, a estratificação do risco e a prescrição do plano de prevenção são competências do enfermeiro. A equipe de técnicos e auxiliares executa os cuidados prescritos (reposicionamento, higiene, hidratação) e comunica alterações da pele, mas a avaliação de risco e a conduta preventiva são responsabilidade do enfermeiro.

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Material educativo de apoio ao estudo, revisado por enfermeiro(a). Não substitui protocolo da instituição, prescrição nem julgamento clínico.