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Punção venosa periférica: técnica e passo a passo seguro

A punção venosa periférica é um dos procedimentos mais realizados na enfermagem — e um dos que mais gera complicações quando feito sem técnica. Este guia traz o passo a passo seguro do acesso venoso periférico, da escolha do calibre à fixação, seguindo boas práticas do COFEN, da ANVISA e das referências clássicas como o Potter & Perry.

Resumo rápido.
Higienize as mãos → confira a prescrição e identifique o paciente com dois identificadores → escolha uma veia distal no membro não dominante → aplique o garrote 7 a 10 cm acima → faça antissepsia com clorexidina alcoólica e deixe secar → insira o cateter com o bisel para cima a 15–30° → veja o refluxo, avance o cateter e recue a agulha → solte o garrote, conecte e teste com SF 0,9% → fixe com filme transparente e registre.

O que é a punção venosa periférica

A punção venosa periférica é a técnica de inserção de um cateter em uma veia superficial dos membros (geralmente dos membros superiores) para estabelecer um acesso venoso periférico. Esse acesso permite administrar soluções, medicamentos e hemoderivados, além de coletar sangue. É um procedimento realizado pela equipe de enfermagem dentro das competências previstas pelo COFEN, com técnica asséptica (técnica limpa com barreiras adequadas).

O dispositivo mais usado é o cateter sobre agulha (tipo Jelco/Abocath), em que o cateter flexível envolve uma agulha metálica que serve apenas para a punção e é descartada logo após o posicionamento.

Indicações: quando puncionar

Materiais necessários

Escolha do calibre do cateter

Prefira o menor calibre capaz de atender à terapia proposta: quanto maior o número do gauge (G), mais fino é o cateter. Cateteres finos causam menos trauma endotelial e menos flebite mecânica.

CalibreCorIndicação principal
14GLaranjaGrandes volumes, trauma e cirurgias de grande porte.
16GCinzaCirurgia, trauma e reposição rápida de volume.
18GVerdeHemoderivados, cirurgia e grandes volumes.
20GRosaUso geral em adultos: infusões e transfusões de rotina.
22GAzulAdultos com veias finas, idosos, quimioterapia e pediatria.
24GAmareloNeonatos, pediatria, idosos e veias muito frágeis.

Escolha da veia e do local

Comece pelas veias mais distais e vá subindo se necessário — isso preserva os sítios proximais para futuras punções. Dê preferência ao membro não dominante e a veias retas, palpáveis, de bom calibre e afastadas de articulações.

Veias mais utilizadas

Locais que você deve evitar

Passo a passo seguro da punção venosa periférica

  1. Confira a prescrição e reúna todo o material, verificando validade e integridade das embalagens.
  2. Higienize as mãos e identifique o paciente com dois identificadores; explique o procedimento e obtenha o consentimento.
  3. Posicione o paciente confortavelmente, exponha e apoie o membro em uma superfície plana.
  4. Aplique o garrote cerca de 7 a 10 cm acima do local escolhido. Ele deve comprimir as veias, mas manter o pulso distal palpável.
  5. Selecione e palpe a veia. Não deixe o garrote apertado por mais de 1 a 2 minutos.
  6. Higienize as mãos novamente e calce as luvas de procedimento.
  7. Faça a antissepsia com clorexidina alcoólica (ou álcool 70%), com fricção, e deixe secar espontaneamente. Não assopre, não abane e não volte a palpar a veia após a antissepsia.
  8. Tracione a pele abaixo do ponto de punção para estabilizar a veia.
  9. Insira o cateter com o bisel para cima, em ângulo de 15 a 30°, em direção ao fluxo venoso.
  10. Ao ver o refluxo de sangue na câmara, reduza o ângulo, avance mais 1–2 mm e progrida o cateter sobre a agulha até a base.
  11. Solte o garrote, faça compressão digital sobre a veia acima da ponta do cateter e retire a agulha, descartando-a imediatamente no coletor de perfurocortante — sem reencapar.
  12. Conecte o equipo/extensor e teste a permeabilidade com flush de SF 0,9%, observando se há refluxo, dor, edema ou resistência.
  13. Fixe com película transparente estéril e identifique o curativo com data, hora, calibre e nome/COREN do responsável.
  14. Descarte o material, higienize as mãos e registre o procedimento no prontuário.

Cuidados após a punção e manutenção do acesso

Complicações mais comuns

As principais são infiltração (extravasamento de solução não vesicante), extravasamento (de solução vesicante), flebite (mecânica, química ou infecciosa), hematoma, obstrução e infecção da corrente sanguínea. A flebite é avaliada por uma escala padronizada:

GrauSinais e sintomasConduta
0Sem sinais ou sintomas.Manter e observar.
1Eritema no local, com ou sem dor.Remover o cateter.
2Dor com eritema e/ou edema.Remover o cateter.
3Dor, eritema, endurecimento e cordão venoso palpável.Remover e avaliar tratamento.
4Grau 3 + cordão venoso > 2,5 cm e/ou drenagem purulenta.Remover, avaliar e notificar.
Erros mais comuns. Palpar a veia depois da antissepsia (recontamina o local); assoprar ou abanar para secar; garrote apertado demais ou por tempo excessivo; ângulo alto demais (transfixa a veia); avançar o cateter sem ver o refluxo; reencapar a agulha (risco de acidente perfurocortante); e fixar sem identificar data, hora e calibre.

Perguntas frequentes

Qual o ângulo correto para a punção venosa periférica?

Insira o cateter com o bisel para cima, em ângulo de 15 a 30° em relação à pele. Assim que houver refluxo de sangue na câmara, reduza o ângulo, avance o cateter sobre a agulha e recue a agulha.

Qual antisséptico usar?

A primeira escolha é clorexidina alcoólica acima de 0,5%; o álcool a 70% é alternativa. Friccione o local e deixe secar espontaneamente — nunca assopre nem abane, e não volte a palpar após a antissepsia.

Por quanto tempo o garrote pode ficar apertado?

O menor tempo possível: idealmente menos de 1 minuto e nunca acima de 2 minutos. O excesso causa hemoconcentração, desconforto e altera resultados na coleta de sangue. O garrote deve comprimir a veia, mas manter o pulso distal palpável.

De quanto em quanto tempo trocar o cateter periférico?

A ANVISA recomenda remover quando clinicamente indicado — dor, eritema, edema, infiltração, obstrução ou suspeita de infecção — e não mais obrigatoriamente a cada 72 a 96 horas. Avalie o sítio a cada plantão.

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Material educativo de apoio ao estudo, revisado por enfermeiro(a). Não substitui protocolo da instituição, prescrição nem julgamento clínico.